Há cada vez mais pessoas a arrendar casas de férias em Portugal e no estrangeiro através de plataformas na internet. Os preços são apetecíveis, mas o procedimento pode ser arriscado.

Eu confio, tu confias, ele confia

Confiança é a palavra de ordem imprescindível em todos os arrendamentos negociados através de plataformas online. Em princípio, senhorio e inquilinos não se conhecem, podem até viver em países diferentes e o único contacto mantido até ao dia da ocupação da casa resume-se a uma eventual troca de e-mails ou de mensagens de telemóvel. Mas cada anúncio faz-se também acompanhar dos comentários e das apreciações de hóspedes anteriores, que aqui funcionam como índices de boa reputação. E contam muito para qualquer potencial utilizador. Frequentemente, é apenas com base na confiança nesses comentários e nas informações cedidas pelos proprietários que se constrói esta relação.

Sendo muito pessimista, há uma infinidade de coisas que podem correr mal. A casa pode não corresponder à descrição ou às fotos publicadas. A localização pode ser longe de tudo o que lhe prometeram e integrar o catálogo de cenários possíveis para um filme de terror. O proprietário pode ter trocado as datas e arrendado a casa em simultâneo para várias famílias, o que o levaria a deparar-se com turistas desconhecidos a disputar a mesma estadia. Isto quando tudo o que mais queria era descansar após uma cansativa viagem e calar os miúdos que perguntam insistentemente quem são aqueles estranhos. Ou, se a sua imaginação for fértil, lembrar-se de que os proprietários podem ser terríveis criminosos à espera de que a família adormeça para os atacar durante a noite. Queria aventura?

Com o consumo colaborativo cada vez mais na moda, a cedência de casa nestas plataformas vem dar seguimento à lógica já aplicada nos tradicionais arrendamentos, negociados entre particulares ou através de agências de mediação imobiliária. Mas se estas estão sujeitas a legislação criada especificamente para regular o mercado de arrendamento e para proteger os consumidores, o mesmo já não acontece nas plataformas de consumo colaborativo, cuja relação com os hóspedes se desenvolve num "mundo paralelo", encoberto pela volatilidade das comunicações virtuais e pela ausência de enquadramento legal e de fiscalização.

Prudência combina com aventura

A exposição ao risco começa desde logo nos termos e nas condições propostos por este tipo de portais e que, na maior parte das vezes, nem são lidas de fio a pavio pelos utilizadores.

A Dinheiro & Direitos analisou cinco plataformas e debruçou-se sobre as regras a que sujeitam os consumidores. Os técnicos da publicação esbarraram logo num caso que não disponibiliza sequer os seus termos e condições em português. Mas encontraram muitos mais problemas, que são detalhados em baixo.

A prudência manda que compare os vários sites e verifique se neles existem anúncios semelhantes, com as mesmas fotos, o que será um bom sinal. Desconfie de preços exageradamente baixos, que contrastem de forma grosseira com as tarifas praticadas para alojamentos similares. E contacte os proprietários para pedir informações adicionais.

No que toca a pagamentos, seja ainda mais cauteloso e imprima todos os comprovativos. Depois, guarde cópia de contactos efetuados e deixe com amigos ou familiares algumas indicações do sítio para onde vai viajar. Pode também subscrever uma apólice de seguro de viagem, que transfira para uma seguradora alguns dos riscos a que se expõe. Algumas destas plataformas de arrendamento chegam mesmo a disponibilizar essa opção, cobrando um pagamento adicional pela apólice. Mas há riscos que terá de assumir e convém ter a noção de que um alojamento desta natureza implica sempre uma dose de aventura associada. Que, na maior parte dos casos, termina com boas recordações na bagagem de regresso. E, em alguns casos, com novos amigos. Mas, como em tudo na vida, cautela e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém.

Fonte: Económico

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